April 3, 2005

Sr. Karol Wojtyla faleceu ontem aos 84 anos

Posted in Dia-a-Dia, Portuguese at 11:24 pm by pmatos

De facto, o Sr. Karol Wojtyla faleceu ontem, sábado, aos 84 anos. Até aqui nada de muito digno para se colocar num blog dado que todos os dias falecem milhares de pessoas. No entanto, o Sr. Karol Wojtyla era mais conhecido por Papa João Paulo II, Sumo Pontífice da Igreja Católica.

Mesmo não sendo crente a morte do Papa não me passou despercebida tal como não passou despercebida a muitos outros não crentes. Desde já há alguns dias que se falava na possível morte do Papa dado que a sua saúde se vinha a detiorar no último mês. Aquando da confirmação da morte perguntou-se na TVI a um Padre (cujo nome me está a falhar) que costuma comentar assuntos deste género nesta mesma estação o que iria acontecer agora. Entre várias coisas ele mencionou que se iria “celebrar a morte de João Paulo II”. Pouco conhecedor das formalidades da igreja católica, esta expressão deixou-me perplexo. No entanto, parece ter uma razão de ser. Após alguma pesquisa online encontrei o seguinte:

When we speak about celebration we tend rather easily to bring to mind happy, pleasant festivities in which we can forget for a while the hardships of life and immerse ourselves in an atmosphere of music, dance, drinks, laughter, and a lot of cozy small-talk.

But celebration in the Christian sense has very little to do with this. Celebration is possible only through the deep realization that life and death are never found completely separate. Celebration can really come about only where fear and love, joy and sorrow, tears and smiles can exist together. Celebration is the acceptance of life in a constantly increasing awareness of its preciousness. And life is precious not only because it can be seen, touched, and tasted, but also because it will be gone one day.

Tradução:

Quando falamos em celebração temos a tendência para rapidamente nos lembrarmos de felicidade, ocasiões festivas nas quais podemos esquecer por algum tempo as dificuldades da vida e imergirmos num ambiente de música, dança, bebidas, risos e discussões agradáveis.

Mas celebração no sentido cristão tem pouco a ver com isto. Celebração só é possível depois de nos apercebermos de que a vida e a morte não podem existir separadamente. Celebração só pode existir onde o medo e o amor, a alegria e a tristeza, as lágrimas e o sorriso podem coexistir. Celebração é a aceitação da vida numa verificação constante e crescente da sua preciosidade. E a vida não é só preciosa porque pode ser vista, tocada e sentida mas também porque um dia termina.

Terminando a página com as seguintes linhas:

When we have been able to celebrate life in all these decisive moments where gaining and losing — that is, risk life and death — touch each other all the time, we will be able to celebrate even our own dying because we have learned from life that those who lose it can find it.

For whoever wants to save his life will lose it, but whoever loses his life for me will find it.
— Matthew 16:25 NIV

Make sure the thing you’re living for is worth dying for.
— Charles Mayes

Tradução:

Quando formos capazes de celebrar a vida em todos os momentos decisivos onde ganhar e perder — ou seja, arriscar a vida e a morte — coexistem, seremos capazes de celebrar até a nossa própria morte porque aprendemos que aqueles que a perdem, podem-na encontrar.

Todos aqueles que quiserem salvar a sua vida, perdê-la-ão, mas todos aqueles que derem sua vida por mim encontrá-la-ão.
— Matthew 16:25 NIV

Certifica-te que aquilo porque estás a viver é algo pela qual vale a pena morrer.
— Charles Mayes

É interessante encontrar esta ideia de celebração tão diferente daquela que muitos de nós pratica. Mesmo para aqueles que não são crentes, não têem uma convicção religiosa penso que as ideias que provêem da religião têm sempre um fundamento interessante.
É fácil verificar que o Papa era mais do que um homem da religião, ele era um homem do povo, um homem que lutou para o bem da Humanidade independentemente da Humanidade acreditar em Cristo ou não, ou seja, a luta dele nunca foi parcial. Apesar de ter tido com certeza outros grandes feitos, um deles foi a luta dele pela paz em todo o mundo que de uma forma ou de outra nos afecta a todos nós. Fê-lo provavelmente pelo facto de os princípios nos quais ele acreditava o forçarem a isso, no entanto, não interessando os motivos pelos quais ele lutou pela paz, todos nós o devíamos fazer. Apesar de não conseguir celebrar a sua morte nem crer que ele está num lugar melhor, elogio a sua vida!

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