May 8, 2006

Porquê LISP?

Posted in Lisp, Portuguese, Programming, Scheme at 9:28 am by pmatos

Parece que existe uma questão recorrente para aqueles que ouvem falar de LISP pela primeira vez seja este sobre a forma de qualquer um dos seus dialectos: “Porquê LISP?”
A pergunta acentua-se quando percebem que de facto, aqueles que se encontram entusiasmados com LISP, encontram-se mesmo viciados. Ora, isto surge em aulas, apresentações e um pouco por todos aqueles que tentam dissiminar a semente do LISP. Paul Graham dá uma resposta interessante à questão na sua página. Visto que existem 2 traduções, uma para Japonês e outra para Romeno, cá fica a portuguesa.

Maio 2003

Se o Lisp é tão bom porque é que não existem mais pessoas a utilizá-lo? Um estudante colocou-me esta questão durante uma apresentação que fiz recentemente. Não foi, no entanto, a primeira vez.

Em linguagens de programação, tal como em muitas outras coisas, não existe grande correlação entre popularidade e qualidade. Porque é que John Grisham (King of Torts ranking de vendas, 44) vende mais que Jane Austen (Pride and Prejudice ranking de vendas, 6191)? Será que o próprio Grisham afirmaria que é por ele próprio ser melhor escritor?

Aqui está a primeira frase de Pride and Prejudice:

“Será uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro com uma grande fortuna tenha de estar à procura de esposa?”

“Será uma verdade universalmente aceite?” Palavras fortes para a primeira frase de uma história de amor.

Tal como Jane Austen, o Lisp parece difícil. A sua sintaxe, or falta dela, faz com que esta parece completamente diferente das linguagens que a maior parte de nós está habituado. Antes de conhecer o Lisp, eu também tive medo. Recentemente encontrei um caderno datado de 1983 onde eu escrevi:
“Acho de devo aprender Lisp, mas parece tão diferente.”

Felizmente, na altura, tinha 19 anos e não tinha muita inércia em aprender coisas novas. Era tão ignorante que aprender fosse o que fosse significava aprender coisas novas.

As pessoas amedrontadas pelo Lisp inventm outras desculpas para não o usar. A desculpa usual, na altura em que C era a linguagem mais comumente utilizada, era que o Lisp era demasiado lento. Agora que os dialectos do Lisp encontram-se entre as linguagens mais rápidas ao nosso dispôr, essa desculpa desvaneceu.
Agora a desculpa usual é circular: que outras linguagens são mais populares.

(Cuidado com este raciocínio: leva-nos ao Windows)

A popularidade tem sempre o poder de se renovar indefinidamente, especialmente quando estamos a falar de linguagens de programação. Mais bibliotecas são escritas para as linguagens mais populares, o que as torna ainda mais populares. Os programas necessitam recorrentemente de cooperar com programas já existentes, e isto torna-se mais fácil se estiverem escritos na mesma linguagem, logo as linguagens espalham-se de programa para programa que nem um vírus. E os ‘chefes’ preferem linguagens populares, porque dá-lhes mais flexibilidade sobre os programadores, que são mais facilmente substituidos.

Na verdade, se as linguagens de programação fossem mais ou menos equivalentes, não existiria grande justificação para não usar a mais popular. Mas não são equivalentes, nem de perto, nem de longe. E é por isso que as linguagens menos populares, tal como os romances da Jane Austen, continuam a sobreviver. E enquanto todos os outros estão a ler o último romance de John Grisham, existe sempre alguém, mesmo que poucos, a ler Jane Austen.

2 Comments »

  1. Pedro Abrantes said,

    Olá era so para dizer que gostei deste post. Nada de novo estava escrito. Mas gostei de ver que alguem num blog escrito em ingles, escreve portugues. E ainda por cima sobre lisp.
    Eu pessoalmente gosto de lisp. Usei apenas em 3 cadeiras. Agora acho que nunca mais irei usar a nivel de trabalho. Por isso irá ser mais um hobbie.
    Não sei se te posso pedir isto. Mas podes-me dizer alguma forma de utilizar lisp para html. Éra uma coisa que eu gostava de fazer a nivel pessoal. Um back office para um site pessoal.
    BTW: Agradecimentos adiantados pelo tempo disponibilizado.

  2. pmatos said,

    Caro Pedro, envio-te instruções por email ainda hoje.


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