February 7, 2007

Quanto ao aborto…

Posted in Dia-a-Dia, Portuguese at 11:56 pm by pmatos

De facto, pensei umas quantas vezes antes de começar a escrever. No entanto, vale a pena pois infelizmente não sei se vou poder votar cá em Inglaterra.

Eu voto SIM (com letra grande), isto porque tanto quanto sei este sim é até às 10 semanas. Ora, eu sou mais liberal nesse aspecto e votaria sim na mesma, se o periodo fosse mais longo. Sou sincero, não percebo o que leva as pessoas a dizerem não. Nem sei sequer caracterizar o “nao” sem dizer asneiras. Muito menos consigo caracterizar as mulheres que votam “não”. Alias, o voto das mulheres até devia contar por 2. Isto porque apesar de o aborto também dizer respeito aos homens, não podemos deixar de dar crédito ao facto de as mulheres serem as mais afectadas com o resultado da votação.

Como não consigo caracterizar o voto dos outros ao menos, vou caracterizar o meu “SIM”, ok, se calhar não vou tão longe mas caracterizo então apenas o meu “sim”.

Em primeiro lugar está a mulher. Ser humano que coabita entre nós muito antes de um feto, o qual tem primazia sobre qualidade de vida. Por outro lado, o feto não pode ser, nem pode ter os mesmo direitos a que tem um ser humano. A mulher deve poder escolher que a sua vida se encontra primeiro que a possível vida que um feto virá a ter.

Questiono-me por vezes qual a razão pela qual as pessoas valorizam tanto a vida de um feto. Se ele sofre? Bom, talvez, mas também se abatem animais todos os dias não só para nosso belo conforto mas pelas mais variadas razões e não acredito que as pessoas pensem que o animal sofre e acredito que sofra muito mais que o feto. Mesmo que eu não colocasse estas questões, o feto é um feto, por mais que sofra, é possível que a mulher venha a sofrer mais com o seu nascimento. E não me venham dizer que onde se alimenta 3, alimenta-se 4… Bullshit! Usando indução dessa forma posso então provar o que bem entender. A verdade é que invariavelmente a mulher pode acabar por ter piores condições de vida, ou acaba por dar terríveis condições de vida à criança.

Mais, normalmente quem se lixa é quem não tem possibilidades. Quem tem, vai abortar a um país que tenha o aborto legalizado. Quem não pode é que sofre. Se filha minha tivesse que abortar, pois era óbvio que apesar de poder ter possibilidades para sustentar a criança nunca iria obrigá-la a sacrificar a sua vida académica, profissional ou emocional se ela não desejasse a criança. Levava-a a um país onde fosse legal fazê-lo e o problema estava resolvido. A questão é… o que é que acontece às pessoas que não podem? Ou morrem a tentar abortar ou então criam uma criança que acaba invariavelmente num jovem delinquente. E para delinquentes já Portugal tem muitos, obrigado! Logo… voto SIM!

1 Comment »

  1. Carlos said,

    Governo deve tomar medidas em vez de pedir ao povo a solução

    Não ! – Não à legalização do aborto através da falsa bandeira (engodo) da despenalização !

    A despenalização do aborto é outra forma enganadora de combater o aborto. O número de interrupções de gravidez, no mínimo, triplicará (uma vez que passa a ser legal) e o aborto clandestino continuará – porque a partir das 10 semanas continua a ser crime e porque muitas grávidas não se vão servir de uma unidade hospitalar para abortar, para não serem reconhecidas publicamente.
    O governo com o referendo o que pretende é lavar um pouco as mãos e transferir para o povo a escolha de uma solução que não passa, em qualquer uma das duas opções, de efeito transitório e ineficaz.
    Penso que o problema ficaria resolvido, quase a 90 %, se o governo, em vez de gastar milhões no SNS, adoptassem medidas de fundo, como estas:

    1 – Eliminação da penalização em vigor (sem adopção do aborto livre) e, em substituição, introdução de medidas de dissuasão ao aborto e de incentivo à natalidade – apoio hospitalar (aconselhamentos e acompanhamento da gravidez) e incentivos financeiros. (Exemplo: 50 € – 60 € – 70€ – 80€ – 90€ – 100€ – 110€ – 120€ -130€, a receber no fim de cada um dos 9 meses de gravidez). O valor total a receber (810€) seria mais ou menos equivalente ao que o SNS prevê gastar para a execução de cada aborto. (*)

    2 – Introdução de apoios a Instituições de Apoio à Grávida. Incentivos à criação de novas instituições.

    3 – Introdução/incremento de políticas estruturadas de planeamento familiar e educação sexual.

    4 – Aceleração do “Processo de Adopção”.

    (*) Se alguma mulher depois de receber estes incentivos, recorresse ao aborto clandestino, teria que devolver as importâncias entretanto recebidas (desincentivo ao aborto). [Não sei se seria conveniente estabelecer uma coima para a atitude unilateralmente tomada, quebrando o relacionamento amistoso (de confinaça e de ajuda) com a unidade de saúde].

    Estou para ver se os políticos vão introduzir, a curto prazo, algumas deste tipo de medidas. É que o povo, mais do que nunca, vai estar atento à evolução desta problemática.


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